2009-01-16

Artistas de nosso tempo...

A arte é uma coisa curiosa... àqueles que não a entendem pode parecer algo sem sentido, vazio de significado, ou pura perda de tempo. No entanto, para aqueles que a percebem... Ahhhh! É algo cheio de encantamento! Quem gosta de arte demonstra emoção cada vez que se depara com algo que lhe fale fundo ao coração... É bem verdade que cada pessoa sente-se tocada por um determinado tipo de expressão artística, mas de todo jeito é sempre possível ver aquele brilho no olhar, aquela empolgação característica dos que amam a arte.


Particularmente, sempre gostei de arte, chegando muitas vezes as lágrimas. Quem nunca viajou na melodia ou na letra de uma música? Quem não tem uma poesia favorita? Quem nunca olhou para um quadro e pensou: "-Nossa, parece que esta imagem vai saltar da tela de tão real!". Para mim, a pintura sempre me pareceu algo fantástico. Eu ainda criança pensava: "-Nossa, como essa pessoa foi capaz de pintar esse quadro perfeito?". E ficava a admirar os quadros. Além da pintura, a escrita também sempre me atraiu, levando-me, inclusive, a produzir alguns textos e poesias... E mais recentemente, de uns cinco anos para cá, a fotografia me encantou de tal forma que eu simplesmente viciei nesta arte...



Hoje falarei da arte da escrita...



Divinos mestres das palavras!

Ando encantada com os escritos de um certo autor: Rubem Alves! Ele escreve com tal desenvoltura que é impossível não embarcar nos seus textos. Como ele mesmo diria: é impossível não comungar de seus textos... e é dele o texto que abaixo transcrevo, onde ele descreve com maestria os atos de ler e escrever...



"Escrever e ler são rituais mágicos. Num primeiro momento, aquele que escreve transforma a sua carne e o seu sangue em palavras. No momento seguinte, aquele que lê transforma as palavras lidas na sua própria carne e no seu próprio sangue. A isso se dá o nome de antropofagia. O escritor se oferece para ser comido. O leitor lerá o texto, se o seu gosto for bom. Se o gosto do texto for bom, ele então o comerá até o fim. Escrever e ler, assim, são um ritual eucarístico: comer carne e beber sangue. O sangue do escritor então irá circular no corpo daquele que o leu. Os rituais antropofágicos não se faziam por razões gastronômicas. O que se desejava era que as virtudes da vítima fossem transferidas para o corpo daquele que comia./.../ Li muitos textos sagrados. Comi aqueles que me deram prazer. Os outros, meu sangue os rejeitou. Agora eu os ofereço como partes de mim mesmo. Se eles lhe derem prazer, você ficará parecido comigo. E experimentaremos aquilo a que se dá o nome de comunhão..."

Achei esse texto fantástico!!! Eu acho que ele se aplica não só a leitura e escrita, mas a arte como um todo... gostar de arte é comungar do gosto do artista, e se tornar parte dele, e ele de você...

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